Ceap repudia ofensa racista contra o goleiro Aranha

Aranha - Divulgação SFC

O Conselheiro estratégico do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), Babalawo Ivanir dos Santos, se solidariza com o goleiro Aranha, ou seja, Mário Lúcio Duarte Costa, que joga no Santos, e foi vítima de ofensas racistas durante partida contra o Grêmio, na noite da última quinta-feira, dia 28 de agosto de 2014, em Porto Alegre (RS). Os atos de racismo foram praticados por torcedores gremistas. O time do Santos venceu por 2 a 0. O goleiro do Peixe deixou o campo indignado. O Ceap repudia e condena as atitudes de racismo contra Aranha.

Imagens do canal ESPN mostram uma torcedora gritando “macaco”. O camisa 1 informa que foi chamado de “preto fedido” por torcedores da equipe adversária, que também gritava “cambada de preto”. Ressalta ainda o atleta não ter sido a primeira vez que isso ocorre no estádio gremista. Por isso, cobra punição com rigor.

Fiquei nervoso, mas me segurei. Mas aí começou coro de macaco, eles imitando. Fizeram rapidinho, para não dar tempo de filmar. Fico nervoso com essas coisas – afirmou.

Aranha negou que tenha insultado a torcida adversária. Ele disse que apenas respondeu ao grupo que o ofendeu.

- Vieram falar que eu estava insultando a torcida. Quando me chamaram de preto, de macaco, essas coisas, eu virei para eles, bati no braço e disse: “Sou preto, sim. Sou negão sim”. Se isso é insultar, eu não sei. Todo mundo que vem jogar aqui sabe. Não são todos, mas sempre tem alguns racistas aí no meio.

Por fim, o goleiro deixou claro que nenhum insulto vindo da arquibancada vai mudar a forma de ele jogar e ressaltou que existem leis para coibir o racismo. Basta que elas sejam cumpridas.

- Não me sinto impotente. Hoje, graças a muito esforço e luta, há leis. No futebol, o torcedor usa várias maneiras para desestabilizar o jogador. Mas sou cara com idade boa, experiente. Não vou deixar de jogar meu futebol por causa de manifestação de torcedor.

O Santos promete se empenhar para punir os torcedores do Grêmio que ofenderam o goleiro Aranha durante a vitória santista sobre o Tricolor gaúcho, por 2 a 0, em Porto Alegre, na última quinta-feira, pela Copa do Brasil. Apesar de o camisa 1 ter decidido não fazer o Boletim de Ocorrência (BO) após o jogo, o advogado do Peixe, Cristiano Caus, disse que o BO será feito nas próximas horas e que o caso terá desdobramentos.

- Conversei com todos que tinha com quem tinha de conversar. Vamos até o fim para que isso seja punido e repelido. Não posso falar mais do que isso. O que posso dizer é que haverá o BO da parte criminal e isso terá consequência na Justiça Desportiva – resumiu

O presidente do Santos, Odílio Rodrigues, prestou solidariedade a Aranha e exigiu a identificação dos responsáveis pelas ofensas. O dirigente, porém, defendeu que sanções ao Grêmio não mudarão o comportamento dos que ofenderem o goleiro.

Confira o texto escrito por Aranha no Site do Santos:

Gostaria de dizer a todos os interessados nesse polêmico e triste episódio de ontem, que depois de uma noite mal dormida, acordei aliviado e satisfeito, porque ao meu modo de ver, o racismo de qualquer modo ou gênero é um mal e todo mal não detectado cresce e se fortalece.

Ontem, esse mal mostrou a sua cara e isso foi bom porque tenho certeza de que será, mais uma vez, combatido e enfraquecido, como em 1963, quando Martin Luther king fez o seu famoso discurso “I Have a Dream”.

“Eu tenho um sonho. Que um dia viveremos em uma nação onde as pessoas não serão julgadas pela cor da pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter”. 

Aranha

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