Morre, aos 97 anos, o ex-senador Abdias Nascimento

Ele foi um dos pioneiros na luta contra a discriminação racial no Brasil.

Morreu, aos 97 anos, no Rio, o ex-senador Abdias Nascimento. Ele foi um dos pioneiros na luta contra a discriminação racial no Brasil.

Artista, professor, homem público. Em todas áreas, Abdias Nascimento trabalhava contra a discriminação racial.

Na década de 30, chegou a ser preso por resistir a agressões racistas. Esteve exilado durante a ditadura e, em 1983, foi o primeiro deputado federal a propor projetos de políticas afirmativas, como as cotas.

No Senado, era suplente de Darcy Ribeiro e ocupou a cadeira por dois períodos. Também foi secretário estadual de Direitos Humanos do Rio.

“Ele foi um incansável defensor dos direitos humanos em geral. Deixou um legado fantástico. Considero um dos homens mais completos a nível de consciência e firmeza no servir ao Brasil”, afirmou frei David, da ONG Educafro.

Na década de 40, fundou o Teatro Experimental do Negro, onde dava cursos de dramaturgia e cultura geral para os participantes. Formou vários atores.

Na mesma época, criou e dirigiu o jornal O Quilombo. Assinava uma coluna chamada Democracia Racial.

“Nessa coluna, participam intelectuais de todas as correntes e posições e cores. O Abdias surgiu exatamente nesse momento que o mundo estava se revelando contra o nazismo na Europa. E a ideia do retorno da raça e da hierarquização dos seres humanos a partir desse conceito tão perverso”, lembrou a antropóloga Yvonne Maggie, da UFRJ.

A luta de Abdias foi reconhecida no mundo todo. Ele fez conferências em universidades e participou de seminários em vários países. Ganhou prêmios de direitos humanos da ONU e da Unesco.

No Brasil, recebeu a maior homenagem concedida pelo governo a um cidadão brasileiro: a Ordem do Rio Branco.

“Se hoje nós temos um pouco mais de visibilidade, um pouco mais de presença, ainda temos que batalhar muito, é graças à voz desse homem, que há mais de 80 anos, se dedicou a intransigentemente a denunciar o racismo e as condições da vida do negro e pedir respeito aos nossos direitos e à promoção do negro na sociedade brasileira”, destacou Ivanir dos Santos, do
Centro de Articulação de Populações Marginalizadas.

Abdias do Nascimento tinha 97 anos e viveu em defesa da igualdade. “Eu espero que um dia o racismo seja varrido para sempre aqui do nosso país, da consciência desta nação”, disse em entrevista.

O corpo de Abdias Nascimento será velado na quinta e na sexta-feira na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. O corpo será cremado e a intenção da família é jogar as cinzas na Serra da Barriga, em Alagoas, onde foi fundado o Quilombo dos Palmares.

Fonte: Jornal Nacional – Rede Globo

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