Prêmio Camélia da Liberdade chega à sétima edição premiando grandes nomes

Evento aconteceu no Vivo Rio e reuniu importantes personalidades no mesmo palco

Em noite de muita emoção, cores e crenças, o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) reuniu ontem um time de personalidades de variados setores da sociedade, no Vivo Rio, para premiar os vencedores do Camélia da Liberdade 2013, que teve número recorde na plateia. A sétima edição do prêmio, que tem patrocínio da Petrobras, celebrou o tema “Pequena África”, e reconheceu as iniciativas destinadas à inclusão social de afrodescendentes, promovidas por instituições de ensino, empresas, poder público, veículos de comunicação e personalidades.

Passaram pelo tapete vermelho aqueles que se destacaram em Ações Afirmativas, como o elenco e autores da novela “Lado a Lado” (Rede Globo). Autoridades do Governo do Estado do Rio de Janeiro; empresários, comunicadores e educadores também estiveram na solenidade. O Camélia levou ao palco as apresentações privilegiadas de Jorge Aragão, Juliana Diniz, Altay Veloso, Nei Lopes, ogan Tião Casemiro, ogan Bamgbala e da Cia de Dança Rubens Barbot.

O conselho do Prêmio Camélia realizou uma extensa e detalhada pesquisa sobre o trabalho de cada profissional e entidades indicados à premiação, tendo como referência o tema escolhido. São conselheiros do Prêmio Camélia o babalawo Ivanir dos Santos, a doutora em Comunicação Azoilda Loretto da Trindade, a mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ Angélica Basthi, o diretor executivo da Incubadora Afro-Brasileira, Giovanni Harvey, a ex-ouvidora da Fundação Petrobras de Seguridade Social, Vanda Maria de Souza Ferreira, e o procurador federal do Trabalho Wilson Prudente.

Emoção

A primeira categoria a ser anunciada pelos mestres de cerimônia, Valquíria Ribeiro e Luís Miranda, e pelo gerente de Responsabilidade Social da Petrobras, Paulo Neto, além do secretário executivo do CEAP, Luiz Carlos Semog, foi Instituição de Ensino, representada pelas Universidades Federais do Mato Grosso, Pará e Santa Catarina. O troféu, entregue pela doutora Azoilda Loretto da Trindade, emocionou os educadores.

“É uma honra receber este prêmio! Demonstra que estamos no caminho certo na luta pelas políticas de Ações Afirmativas. Desde 2003, nos dedicamos à implantação do sistema de cota na nossa universidade e formamos a primeira turma no ano passado. É uma grande vitória”, disse a representante do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação da Universidade de Mato Grosso, Maria Lúcia Müller.

Na categoria Empresa, venceu a Cia. Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), representada pelo diretor administrativo, José Pedro Alcântara Jr., que discursou sobre o valor da diversidade na construção de uma sociedade justa e a respeito da função de uma empresa, “que não atua apenas para gerar lucros, mas ações sociais para o desenvolvimento do País”.

Honra para o governo

O Secretário de Assistência Social do Rio de Janeiro, Zaqueu Teixeira, representou o governador Sérgio Cabral e recebeu o prêmio das mãos do interlocutor e conselheiro estratégico do CEAP, babalawo Ivanir dos Santos, no quesito Poder Público. Zaqueu afirmou que votar a favor da lei de obrigatoriedade de cotas para afrodescendentes e índios nas universidades públicas foi uma honra para o governo e um passo fundamental para retribuir o trabalho da Comunidade Negra no desenvolvimento do Brasil. “Vamos continuar nessa vanguarda. É um compromisso do nosso governo”, garantiu o secretário.

Na mesma categoria, foram premiados o Programa Antonieta de Barros, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, e o Supremo Tribunal Federal (STF).

O programa Nova África, da TV Brasil, ganhou na categoria Veículo de Comunicação, e teve como representante a diretora de Jornalismo, Nereide Beirão, que recebeu o troféu ao lado dos também premiados Paulo Rogério Nunes, do portal Mídia Digital – Instituto Mídia Étnica – e da jornalista Cleidiana Ramos, do Blog Mundo Afro, veiculado pelo Jornal A Tarde. A Rede Globo foi consagrada e levou ao palco do Vivo Rio parte do elenco e autores da novela Lado a Lado. Estavam presentes Marcello Melo Jr, Zezeh Barbosa, Sheron Menezzes, Milton Gonçalves, João Ximenes Braga e Claudia Lage. Ao agradecer em nome dos colegas, Milton Gonçalves quebrou o protocolo e inflamou a plateia com questionamentos sobre o futuro da Comunidade Negra.

“Quem sabe um dia voltaremos a contar a história do negro, de sua contribuição para o salto qualitativo que o País deu nos últimos tempos, não numa novela, mas na vida real? Quem sabe não elegemos o nosso presidente negro? Só depende de nós”, disse Gonçalves, que convidou o público a repetir em tom alto a frase: “Eu sou brasileiro, eu sou negro e quero respeito”.

A ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, ao entregar o prêmio aos comunicadores, saudou o CEAP pelo Camélia da Liberdade. Segundo a parlamentar, o projeto é exitoso, pois já está na sua sétima edição.

“O Camélia representa um eixo fundamental na valorização das Ações Afirmativas. Dá visibilidade à comunidade afrodescendente. O CEAP é hoje uma referência na luta pela igualdade racial, e o seu prêmio Camélia é a sua grande representação”, completou a ministra.

Vó Maria e seu talento

Entre poesias recitadas pelos apresentadores sobre a história da Pequena África, o Camélia seguiu homenageando grandes personalidades. Receberam o troféu da Liberdade o senador Paulo Renato Paim (PT/RS); a atriz Ruth de Souza (ambos representados por amigos); o reverendo Marcos Amaral, que agradeceu o reconhecimento, contando uma passagem bíblica com foco na igualdade e desejando um futuro melhor para o mundo; e Vó Maria, viúva do sambista Donga.

E foi Vó Maria quem ofereceu um dos momentos mais emocionantes da festa de premiação. Ao pisar no Vivo Rio com o pé direito, ela simplesmente disse: “Aqui estou com 102 anos para assistir a esta maravilha”. No palco para receber a homenagem, provou que ainda tem muita energia e talento musical, ao cantar o samba que consagrou Donga, “Pelo Telefone”.

O Camélia da Liberdade teve seu encerramento com o agradecimento do babalawo Ivanir dos Santos, que lembrou o próximo compromisso da instituição, na Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que este ano acontecerá em 08 de setembro. Ele ressaltou que diversidade é fundamental, que as religiões devem se unir em prol das causas positivas que caminham contra o racismo e qualquer outra forma ou atitude de discriminação. O conselheiro estratégico da realizadora afirmou, também, que o Camélia não é mais do CEAP, mas de toda a Comunidade Negra. Ivanir falou sobre a tradição africana acerca da morte e se despediu prestando homenagens a personalidades que morreram recentemente, entre eles Zózimo Bulbul, o cantor Emílio Santiago, o sacerdote dele, Edison dos Santos (Edinho D´Oxossi) e a militante do PC Tereza Santos.

Pequena África

O Prêmio Camélia é a maior referência cultural na luta pela integração do negro na sociedade brasileira. Este ano, a celebração “Pequena África” – que remete aos bairros da zona Portuária carioca e que eram ocupados até o século XX por negros libertos, escravos e remanescentes de quilombos da Pedra do Sal – está diretamente ligada à implementação da Lei 10.639/03, que institui os ensinos das histórias da África e da Cultura Afro-Brasileira na grade curricular das escolas brasileiras. A lei já completou dez anos em janeiro, mas ainda não é aplicada na maioria das instituições.

Ceap

É uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, fundada no Rio de Janeiro em 1989. Desenvolve programas de Ação Afirmativa, cujos principais objetivos são a implementação de políticas públicas de combate à discriminação racial e todas as formas de preconceito.

Fotos / Henrique Esteves

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