Projeto JPA Afro Cultural lançado na Taquara

Projeto JPA Afro Cultural lançado na Taquara

Vários eventos marcaram o lançamento do projeto JPA Afro Cultural 2014, na última sexta-feira (9 de maio), na Taquara, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Aulas inaugurais nas escolas da região e atividades culturais na Praça da Merck chamaram a atenção para a iniciativa pioneira de estimular o crescimento da cultura afro-brasileira na localidade.

Ao longo de sete meses de execução, serão oferecidas, nas escolas municipais Vitor Meireles, Nelson Rodrigues e Renato Leite, atividades como oficinas e cursos de capoeira, jongo, samba de roda, danças afro-brasileiras e percussão; capacitação audiovisual: cineclube, fotografia e informática (web e redes sociais), além de promover celebrações para festas populares, como Carnaval, Dia Estadual do Jongo e Dia Nacional do Samba. Todas as ações têm intuitos pedagógicos, informativos e de capacitação.

A iniciativa é de realização do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP)  e tem patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, da Rede Carioca de Pontos de Cultura, do Cultura Viva, da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura e do Governo Federal. Além disso, o apoio fica por conta da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, a Associação de Moradores do Conjunto Bandeirantes, o Bloco Cultural Guri da Merck, além das escolas onde as aulas serão ministradas.

Fortalecimento
Os propósitos do JPA.Afro Cultural 2014 são de criar um elo entre a comunidade e o Estado, que possibilitará o desenvolvimento de ações culturais, além de fortalecer projetos já existentes, também o de proporcionar acesso à prática de atividades de valorização da cultura afro-brasileira, com foco em apresentar a importância da Lei 10.639/03 e combate à intolerância religiosa.

O professor de História e coordenador do projeto, Júlio Dória, contou que o Ponto de Cultura JPA Afro Cultural surgiu com a proposta de levar socialização à comunidade. “Queremos também abrir os espaços de saber e difusão cultural, que são as escolas do local, para que elas sejam representantes do interesse da comunidade”.
Ele afirma esperar que projetos e ideias como esse sejam divulgados e venham a contribuir para o crescimento social e intelectual do local. “Eu nasci e fui criado aqui, tenho uma identificação particular. Eu sei sobre as carências daqui”, explicou.

Dória acredita, também, que, nesse processo educacional, pode-se fazer um misto do saber institucionalizado, oficial, com o saber popular, que também tem seu valor. “O conhecimento será construído e ressignificado o tempo todo com os alunos, e eles mesmo vão se apropriar das informações, e eles mesmos vão trabalhá-las. A proposta é sempre trabalhar em conjunto, assim como o CEAP trabalha. O conhecimento só é produtivo à medida que é compartilhado”, finalizou o professor.

Aulas inaugurais agitaram colégios

Para apresentar o projeto na comunidade, foram organizadas aulas inaugurais nas escolas Vitor Meirelles e Nelson Rodrigues, com atividades que agitaram os locais. Na Vitor Meirelles, cerca de 20 crianças, do 4º e 5º ano do Ensino Regular, assistiram ao curta “Lápis de Cor”, da diretora baiana Larissa Andrade. O filme aborda a questão do preconceito racial sob a ótica infantil, e como os padrões de beleza influenciam a todos, desde a mais tenra idade. O nome do curta faz referência ao lápis de cor de pele.

Após a exibição, foi proposto pelos professores Vilma Neres e Júlio Dória um debate sobre o filme, com respostas de gente grande, como “Somos todos iguais, e ninguém merece ser humilhado” ou “O preconceito não leva a nada”. Eles comentaram até sobre o caso de racismo do jogador de futebol Daniel Alves, mostrando que, além de boa conversa, são antenados com as novidades. Para finalizar, uma atividade na qual os pequenos tinham de desenhar como eles se viam, da mesma forma que viram no curta.

Já no colégio Nelson Rodrigues, o público que lotou o auditório tinha entre 14 e 16 anos, do 8º e 9ª anos do Ensino Regular. Com eles, a metodologia usada foi outra: usar uma linguagem próxima a do adolescente para instruir e divertir. Na dinâmica, feita pelo professor Juliano Gonçalves Pereira, foram debatidas questões desde padrões de beleza e estética, bullying, namoro, sexo e até heróis presentes na história do negro no Brasil. Tudo em um clima leve e descontraído.

Diversas atividades culturais atraem a atenção dos moradores

Após as aulas inaugurais, os moradores foram convidados a participar das atividades culturais em uma das quadras da Praça da Merck. E, mesmo com o clima chuvoso, o espaço ficou bastante movimentado após o início da roda de capoeira, com Mestre Barba, do Cruzeiro do Sul de Tradição Brasileira, e cerca de 40 de seus alunos. Praticante da capoeira desde 1963, Barba acredita na potencialidade deste projeto, e espera dar fim à ociosidade na vida de muitos jovens. “São muitos anos de capoeira, e tive a felicidade de tirar muitos adolescentes das drogas, e consegui resgatar a autoestima deles. Eu uso a humildade como forma de me aproximar, conquistar a confiança e mostrar a eles outro caminho. Além das aulas, procuro fazer palestras sobre racismo, saúde, educação. Me sinto responsável por esses meninos, e é por isso que estou confiante no sucesso do JPA.Afro”, disse Mestre Barba.

As aulas de percussão serão ministradas por Mestre Dinho Santos, da escola de samba Renascer de Jacarepaguá, que se apresentou no evento e cantou clássicos do carnaval carioca. “Minha metodologia não é apenas ensinar a tocar, mas sim transportar para a vida dele a disciplina com horário, o zelo pelo instrumento e a responsabilidade com a própria vida. Aqui, ele vai aprender o nome das peças que compõem determinado instrumento, para que servem e qual a função de cada um dentro da bateria”, revelou.

Para o Carnaval 2015, Mestre Dinho espera contar com uma bateria integralmente formada por instrumentistas locais. “Sou nascido e criado nessa comunidade e sei que aqui tem muitos talentos que precisam apenas de oportunidade. Mas tenho certeza que o Bloco Guri da Merck estará pronto para o próximo carnaval. Quero trazer para cá o clima familiar que consegui instaurar na Renascer de Jacarepaguá”, disse.

Apesar do clima chuvoso, o conselheiro estratégico do CEAP, babalawo Ivanir dos Santos se mostrou satisfeito com a boa acolhida dos moradores, que foram até a quadra e acompanharam de perto o desenvolvimento das atividades. “Esse é um projeto nosso que deixará um legado para todos. Um trabalho cultural com base na Lei 10.639, que torna obrigatório os ensinos da histórias e culturas afro-brasileira e africana nas escolas. Mas o principal é que este é um trabalho feito pela comunidade e para a comunidade”, disse o babalawo.

Já passava das 22 horas quando o grupo Autonomia animou uma roda de samba, que marcou o fim de um longo dia de atividades na Praça da Merck. O Projeto JPA Afro é uma realidade!

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Projeto JPA Afro Cultural lançado na Taquara

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