Sucesso marca seminário “Caminhos para uma Educação Democrática”, em São Paulo

16 - edital-cabecalho

Mais de 150 pessoas prestigiaram o Seminário “Caminhos para uma Educação Democrática – Lei 10.639/03”, no último dia 15, em São Paulo. A Lei determina a implementação das histórias da África e da Cultura Afro-brasileira nas escolas do País. O evento, promovido pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) em parceria com o Instituto do Negro Padre Batista (INPB), ocorreu no Espaço da Cidadania, no prédio da Secretaria da Justiça. Por lá, representantes da sociedade pública, civil, religiosa, educadores, organizações não governamentais e estudantes passaram o dia debatendo o assunto e disseminando conhecimentos.

Com o objetivo de gerar multiplicadores para mais uma edição do Concurso de Redação Camélia da Liberdade – voltado para alunos do Ensino Médio de escolas públicas, particulares e cursinhos pré-vestibulares sociais; e estudantes dos ensinos Fundamental (projeto-piloto) e Médio, no Rio de Janeiro -, o seminário rendeu frutos. Alguns professores inscreveram suas escolas no ato, e kits foram entregues para apoio nas confecções dos textos.

O padre José Enes de Jesus, presidente do INPB, que abriu oficialmente o evento, disse da honra em continuar a parceria com o CEAP. “Neste importante ato de inclusão educacional que é o Concurso de Redação Camélia da Liberdade, estou confiante de que nosso trabalho está, cada vez mais, gerando bons resultados para o bem da humanidade”, afirmou.

Na mesa de honra, o conselheiro estratégico do CEAP, Ivanir dos Santos, explicou que, além de valorizar a cultura africana e de seus afrodescentes, o Camélia da Liberdade promove um debate democrático com a sociedade sobre as desigualdades de milhões de negros que vivem no Brasil. “Mais do que alavancar novas políticas públicas para diminuir tais diferenças é importante entender o passado e a rica história, a fim de disseminar conhecimento”, frisou, agradecendo aos parceiros e à patrocinadora, Petrobras.
Elogios e responsabilidade

“O CEAP e o INPB estão de parabéns por esse movimento em busca da identidade, da inclusão, que passa primeiramente pelos valores da pessoa humana, independente de cor, raça, cultura ou classe social”, disse o Padre Roberto Rosalvino, coordenador da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec), uma das entidades que apoia o concurso.

Padre Roberto Rosalvino esclareceu que, embora o sistema seja excludente, a maior preocupação da Anec é ajudar as pessoas a entender que, acima de tudo, “somos irmãos”, enfatizou em seu discurso durante a abertura do seminário.

“A Secretaria da Justiça se sente orgulhosa em ter em seu espaço um evento desta magnitude. Que esse trabalho seja bastante proveitoso e leve à maior reflexão a questão étnica e racial, e pela superação da intolerância religiosa”, disse o coordenador da Coordenadoria de Políticas Públicas para a População Negra e Indígena da Secretaria da Justiça, Antonio Carlos Arruda da Silva, ao dar boas vindas aos participantes.

Já o representante da Petrobras, Alcides Amadeu, falou da responsabilidade social da estatal numa parceria com o Camélia da Liberdade. “Só após valorizarmos a nossa história, é que podemos nos encontrar”, explicou ao lembrar que, em 1996, quando esteve na Noruega, observou que História, Norueguês e Religião são disciplinas obrigatórias.

16 - DSC_8739

Clique AQUI e veja o Álbum de fotos

Tema
Embora lançado na internet em 30 de junho, tanto para o Estado do Rio de Janeiro quanto para São Paulo, a IV edição do Concurso Camélia da Liberdade para o Estado de São Paulo foi oficializado durante o seminário, que contou com diversas palestras e debates sobre o objetivo do Concurso e do tema de 2011: Luiza Mahin – Uma rainha africana no Brasil.

Luiza Mahin, que ficou conhecida pelas participações em lutas como Revolta da Sabinada e dos Malês e mãe do jurista e poeta Luiz Gama, foi retratada com louvor pela pesquisadora e mestra Aline Najara da Silva Gonçalves, durante sua apresentação.

Aline, autora do caderno do CEAP que traz em seu título o tema de 2011, falou sobre a satisfação em participar do trabalho que leva conhecimento e cultura a todos. “É muito gratificante trazer esses heróis negros, esquecidos na história para o debate atual. Luiza Mahin é um símbolo para o negro”, emendou.

“Nossa intenção é bater o recorde de inscrições como o tema Luiza Mahin”, disse o diretor-executivo do CEAP, Luiz Carlos Semog (Éle Semog).
Para ele, somente a implementação da Lei 10.639/03 nas escolas do Brasil vai possibilitar a amplitude de conhecimento histórico. “O Camélia da Liberdade é uma grande oportunidade para as instituições de ensino perceberem uma das vocações de milhares de alunos”, ressaltou.

Resistência e mudança de paradigmas
Anatalina Lourenço, diretora estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), disse que a atitude do CEAP e do INPB em lançar o concurso só faz crescer o esforço para que a Lei 10.639/03 seja cumprida. “Infelizmente ainda encontramos muita resistência em aplicar no currículo escolar disciplinas que tenham a cultura afro-descendente”, esclareceu.

“Essa lei muda paradigmas. Ela é uma revolução cultural no País”, acrescentou Maria Aparecida Pinto (Cidinha), conselheira do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (CPDN) e diretora do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (Inspir).

Na mesma linha de pensamento, o advogado especialista em Direito Racial Sinvaldo Firmo, do INPB, disse que a Lei 10.639/03 estimula a pesquisa e incentiva a difusão do conhecimento da tão importante cultura afro-brasileira. Durante o seminário, Sinvaldo questionou sobre o papel da mídia para que a Lei seja cumprida.

Nas sete horas do seminário, os participantes também tiveram a oportunidade de acompanhar as exposições dos professores Karin Kossling, Alexandre Carvalho, Sandra Martins, Bas’Ilele Malomalo, Elisabeth de Souza, Marilândia Frazão, que discorreram, respectivamente, sobre os temas: Consolidando Práticas Democráticas – História e Cultura Africana e Afro-brasileira nos Currículos Escolares; A Lei 10.639/03 na Escola; História da África e Afro-brasileira; Pedagogia e Gestão Pública.

Antes de encerrar, Ivanir dos Santos falou sobre o tema “Intolerância Religiosa”. Ele afirmou que negar a implantação da Lei 10.639/03 é dar continuidade ao racismo. “Não querer mostrar que o Criador iniciou sua obra na África é prova exatamente de que querem manter as coisas como elas estão. É essencial mostrar que o negro contribuiu culturalmente e, principalmente, com sua religiosidade no Brasil”, esclareceu.

O conselheiro do CEAP convocou todos para reforçar os trabalhos e agradeceu mais uma vez a parceira com o INPB e aos demais apoiadores. Também aproveitou para lançar o desafio em fazer valer a Lei 10.639/03, que está aí para ser reconhecida e aplicada.

Inscrições abertas até novembro
Para se inscrever no Concurso Camélia da Liberdade 2011 – Luiza Mahin – uma rainha africana no Brasil, basta acessar, até o início de novembro, o site www.portalceap.org.br e fazer o cadastro.

Mais informações também pelo telefone (11) 3106-7051, com Ana Paula ou Ana Rocha. Ainda pelo e-mail: inpb.projetocamelia@bol.com.br. Alunos interessados devem se dirigir à secretaria da própria escola e pedir pelo cadastramento.

Cada unidade de ensino inscrita receberá um kit de apoio aos professores, contendo, entre outros materiais, o DVD “Desigualdade Racial no Mercado de Trabalho”; a revista em quadrinhos “Luiza Mahin: A Guerreira dos Malês”,  de Aline Najara da Silva Gonçalves; e os cadernos “Projeto Político na Escola” e “Prática para a Diversidade” respectivamente de Azoilda Loretto e Andrea Borges.

A unidade inscrita deverá fazer um concurso interno e escolher a vitoriosa entre seis redações que deverão ser encaminhadas ao CEAP até o fim de novembro. Os trabalhos passarão por uma comissão julgadora da Fundação Cesgranrio, que elegerá os vencedores.

Premiação e incentivo
O Concurso de Redação Camélia da Liberdade dará, durante a solenidade de premiação, em março de 2012, ao vencedor, um notebook e uma impressora multifuncional jato de tinta. À sua escola, um laboratório de informática com dez computadores. Para o segundo colocado, é oferecido um microcomputador e uma impressora multifuncional; ao terceiro, um microcomputador e uma impressora simples.

Os professores orientadores dos alunos vencedores também serão premiados: o primeiro lugar recebe um tablet; o segundo, um notebook; e o terceiro, um iPod.

Como incentivo, o CEAP publicará um livro com as 30 melhores redações de cada estado. O livro será entregue aos autores e a suas respectivas escolas durante o lançamento da próxima edição do concurso de redação.


Centro de Articulação de Populações Marginalizadas – CEAP
Comunicação CEAP – Tel.: 21 7846-0412 / 21 2232-7077

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>